O ser humano tem um quê de extravagância em seu jeito de ser. O agir é suspeito e a confiança que um dia existiu já não penetra mais as almas nesse purgatório terrestre. Bem ou mal, diz-se que os corpos se anulam diante da impureza do existir sem respeitar os limites do outro. Não cabe ao cérebro humano um real julgamento do que o cerca. As palavras rolam soltas como adolescentes inconsequentes em uma noite de sábado. A vida sempre foi complicada e as questões sempre estiveram à deriva. Agora, a repetição de um erro faz-se incompreensível dentro do meu pensar. A utopia tornou-se tão absurda a ponto de a ilusão afogar-se em lágrimas ferventes. Já não caminho, corro. Já não observo, apenas certifico. Já não absorvo, desmorono. A aflição deseja retrair os corações amenos e esperançosos. Ao chegar na escuridão, não senti medo. Vi estrelas. As janelas estão abertas, a cortina balança com a brisa da madrugada. Sinto o cheiro de uma normalidade falível. O chá quente que desliza em minha garganta seca se equaliza com minha alma que sensível se preenche de desagradáveis experimentos. Por mais alta que a música penetre os ouvidos e por mais instável que a luz se prontifique, os paradigmas desajeitados persistem sem brechas visíveis. O mundo que vejo hoje bambeia minhas pernas como um susto a ver filmes de terror. Quem são aqueles escolhidos, quem são aqueles prescritos nas profecias. Meu maior pavor é crescer e deixar de acreditar. O relógio insiste em seu infinito tempo e eu adormeço perante os ideais que me sustentam.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s