E a saudade já vem de esmagar a alma contra as paredes do quarto silencioso na madrugada fria de primavera curitibana. O Teatro é uma casa de períodos curtos, porém realmente intensos. O cheiro é sua marca registrada, é um reviver de arte, é a emoção guardada em cada cadeira, cada coxia, nos camarins, na madeira do palco, até a cabine de luz. Um ritual, preparações, concentração, aula, aquecimento, a roda, energia, unidade, personagem, ‘merda’. Os sinais infinitos em seu existir, o chão range, saltos, espaço, foco. Durante a espera nos bastidores você fita do outro lado um coelho no aguardo, as cortinas estáticas, as luzes penetrantes. O corpo pede a sensação, o afundar-se, o mergulho, a alma deseja o ser, a união, a arte, a obra, o tornar-se. As temporadas amadurecem, fortalecem, marcam. Tudo é poesia dentro do criar. Faço-me mais veemente a cada cicatrização. As noites seguintes permanecem em um vazio temporário, de reajustes desajeitados. Os músculos se contorcem, os ossos pesam, mas a mente flutua, pede o movimento, o dançar, o transportar-se, o delay temporal. Aguardo ansiosamente nosso próximo encontro como uma criança à espera de seu aniversário, ou dois amantes apaixonados no aguardo de seu novo reencontro de olhares e afagos, ou ainda como a lua que ansiosa conta com o cair da noite. Nos vemos em breve.

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