Depois de alguns meses sem escrever percebi que minha maneira de expressar sofreu mutações. Acredito que as crises existenciais que transpassam nossas vidas mostram novas poesias, novos olhares, novas fotografias. A partir de então sofri por não estar escrevendo e só percebi que as fases são assim hoje. Acho que de certa forma aprendi muito com minhas próprias palavras, entendendo aos poucos como funciona minha mente e minha alma. Aceitar-se é a palavra. Ninguém é perfeito, ninguém é totalmente seguro de si, ninguém está nesse mundo como exemplo de ser humano. Parece óbvio, mas não é. Escrever nesse blog durante esses anos, me mostraram o poder das palavras, contudo também o medo de ninguém jamais ler meus textos. A realidade é que deixo para trás essa “Alma Mouca”, pois agora ela escuta, fala, grita e corre. Agora é uma alma sim cheia de intensidades, mas que deseja se expressar por outras artes, menos dramáticas e mais eloquentes. É uma alma que quer falar independente de quem esteja ouvindo. Então me despeço através desse texto mal escrito e desconexo. Obrigada aos que acompanharam minhas questões e procuras. O ano de 2017 trará minhas palavras por outros meios e de outras formas. A arte que me faz hoje permeia um novo linear.

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Alguns segundos tornam-se a eternidade que promove a distopia do olhar.

Iniciei-a sem conhecimento prévio e tentei transpassá-la na ânsia de ceder.

Não era desmistificada, mas extremamente forjada.

Eu sinto o ir e vir tão facilmente quanto posso distinguir a porta do buraco.

Omiti ao meu âmago o desespero, mas a mente intercedeu.

Eram cabeças flutuantes, vazias, perversas, angustiadas e não pensantes.

Que balela pedir menos egoísmo se a nós mesmos falta o altruísmo.

Então me disseram “promova o hoje abocanhando o sentimento do existir”.

Ninguém me disse. Eu disse.

A fraqueza ataca. Mate-a.

Nessa hora ímpar proponho a abertura de um novo atributo.

A ajuda é parcial e a geradora da imposição é a mente.

Contatei que a transferência deve ser realizada imediatamente.

Deposito no hoje o positivismo que havia guardado para um futuro que acontece agora.

Não existe conexão se você não quiser entender as palavras.

As vezes só tenho vontade de escrever.
Permaneço inerte em meio aos meus sentimentos.
Acho que as emoções me enlaçam de maneiras diferentes.
Contribuí ontem com o assassinato da minha respiração e a ansiedade tomou conta.
Senti-me culpada. Contudo, quem irá me condenar?
Traspassei os olhos que me acalmam.
Encontrei ar.
Vi um filme, ele dizia “As coisas não mudam. As pessoas devem mudar para que as coisas mudem.”.
Senti-me culpada. Contudo, que irá me condenar?
Olhei a minha volta permaneci a beira de questões flutuantes.
Questiono muito. Sempre. As vezes sem necessidade.
Tenho almas puras que me seguram. Grandes seres humanos. Grandes corações.
Semana passada, sofria com o mundo. Então olhei, já eram 23h. Hora de comprar mais fichas para a montanha-russa do viver.
Nem sempre o que digo é sobre mim. Gosto de inventar poesias anatômicas.
Acordei em transições. Quero fichas, não lágrimas.
Eu sou meu próprio condenar e ao meu próprio espírito cabe cogitar.
Olhei a Vontade e ela me disse que corria à solta, mas quem faltava mesmo era a Força.
Engraçado como a gente sempre canta as músicas com as letras erradas.
Acho que a vida é assim, aceitar que de vez em quando você está cantando errado, mas que a nova forma de cantar é bonita também.

Vi ao longe as palavras desconexas partirem constrangidas por não serem entendidas dentro de suas loucuras limiares. Alguns desperdícios são maiores que outros e dentro deles se formam as lágrimas que de tanto despejadas hidratariam Desertos do Saara. Agora diga-me como algumas noites em grandes lonjuras fixam-se em infinitos distantes podendo jamais terminarem? Constituo em mim fantasmas dispersos propositalmente aterrorizando as positividades lunares. Um grande erro que cometo é afundar-me em cobertas sem querer abrir as janelas. Minha avó certamente riria se eu a contasse como problematizo fantasias e bobeiras desajeitadas. É inegável o peso de uma ansiedade que prioriza a ela mesma, adora um egocentrismo jovial e se alimenta de piscares de olhos desprotegidos na madrugada. Agora diga-me se entre as maravilhas de um viver inconstante existe o aceitar-se em si mesmo? Somos todos feitos de questões incomparáveis e de experiências indomáveis. O entender-se em sua própria alma é um diário viver de completas metamorfoses. Se prefiro as negatividades me afirmo apenas um ser humano esquecido ou um estagnado indivíduo?

Algumas invenções mentais são piores que outras e o que as divide é uma linha tênue e farta. O velho amigo perigoso, mas disfarçadamente amistoso permeia as conjecturas sentimentais. Erro esse de deixar-se afogar. Por existir não procura dissolver, contudo persiste em um sofrer altamente dispensável. Colocar-se em um patamar de energias conflitantes é mais prático do que realmente proporcionar ações intensas. Se todo caricato ser humano pertence ao mesmo mundo engana-se quem classifica dores apáticas. Consiste em maturar no entendimento oportuno, no classificar do rumo, no deslizar absoluto. Os conceitos são básicos e inerentes a uma pré-construção. Ativar o apoderar-se de si é uma labuta diária. O assegurar é de alma. O abstrair é correspondente. Porventura.

A noite traz em si certas vulgaridades inacessíveis. Deparo-me com uma velha amiga que já não é mais bem-vinda, contudo persiste em me visitar. Diante de um olhar desesperado suplico que os ventos se acalmem e o outono chegue de modo mais familiar. Enquanto as tempestades me sufocam encontro a paz em grandes escalas de intensos ‘amares’. Costumava, quando pequena, ansiar pela formidável fonte da liberdade e ao fortalecer os neurônios percebi que ela não existe. De passos em corridas, de tropeços a raspões, de indicações a desistências. Em tempos de fluidez o espírito não procura os campos universais, mas esqueci-me que das bem dizentes alegrias também devo me agarrar em grandes proporções nas transcendentais maravilhas. Dentro da alma que me segura construo um abrigo. Aprendi que por mais que a contemporaneidade proponha uma solidão feliz, não existem corpos inteiros no isolamento. As boas energias quero que me transbordem e as falsas lacunas que se autodestruam. Que as crises fortaleçam e que as fases amoleçam. O hoje sempre parece mais complicado e o talvez que o amanhã carrega é sempre levemente assustador. Fecho os olhos e assim como os sonhos que se desenrolam me renovo no desconstruir de um viver sentimentalmente sensacional.

Em intensidades desmedidas o corpo se refaz em constantes legítimas. Cada respirar é um único existir perante alguns desajeitados ‘sorrires’. As questões mais insanas persistem em aconchegantes terrores noturnos. Os domingos desalinhados carregam aquelas partículas marejadas de egocêntricas melancolias. Porém, de toda a imensidão que já me pertence desconstruo a maior das riquezas espirituais. Ao emergir na superfície das belezas de um grandioso oceano observo novas formidáveis sensações. É de segundos em segundos que minha mente se reajusta a novos ideais, particulares divididos pensamentos e desejos de âmagos verdadeiros. Estranham-se as palavras entre minhas frases mal formuladas. Talvez o borbulhar seja tão envolvente que o cativar já me consuma em inteiros eloquentes.